terça-feira, 31 de julho de 2012

Vinho na Tailândia

Mês de julho. Férias. Estive na Tailândia, que é muito quente nesse período de verão no hemisfério norte. No aeroporto de Chang Mai vi algumas garrafas de vinhos tailandeses à venda e, curioso, li e fotografei alguns rótulos. As fotos estão abaixo.  Mais tarde, no hotel, consultei a web e descobri que há uma associação tailandesa de produtores de vinho. Detalhes em www.thaiwineassociation.com. As regiões produtoras estão próximas a Bangcoc (paralelo 14) e ficam próximas do mar, o que me pareceu inusitado, pois ao norte do país há uma região mais alta e um pouco mais fria (paraleos 18-20), que teoricamente poderiam produzir uvas mais adequadas para vinificação.

Nos restaurantes há poucas opções de vinho à venda, com predominância de brancos, a maioria proveniente da Austrália e do Chile. Comprei uma garrafa de um produtor tailandês em uma loja de vinhos em um centro de compras da cidade de Puket que funciona como um "wine bar" (tem loja e serve comida) e trouxe para o Brasil. Quando abri-la registrarei minhas impressões.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Crane Lake Zinfandel 2008


Em março de 2012 eu estive em São José do Rio Preto,  SP, e visitei a loja de importados do Makro, que tem uma boa lista de produtos e vende vários vinhos interessantes, alguns provenientes de importação própria. Até por curiosidade, eu comprei uma garrafa de vinho da uva Zinfandel, que não é comumente encontrada no Brasil e é um vinho caro. Paguei 48  reais e se comprar três garrafas sai por cerca de 45. O vinho é importado pela Wine Experience e em outras lojas e posts o preço mencionado é 55-60.

A Crane Lake é uma das muitas marcas da Bronco Wine Company, da California, uma dos maiores produtores de vinho dos Estados Unidos. De um modo geral, trata-se de uma empresa controvertida, que já foi processada pela justiça norte-americana por fraudar as leis de D.O.C. rotulando vinhos como sendo de uma região e usando uvas de outras regiões. Veja detalhes em http://en.wikipedia.org/wiki/Bronco_Wine_Company. É conhecida por produzir um dos vinhos mais populares daquele país, com a marca “Charles Shaw”, que é vendido por dois dólares nas lojas de conveniência Trader’s Joe. Mas de um modo geral a percepção parece ser a de que vende vinhos por um preço inferior à qualidade percebida pelos clientes. Por isso tudo achei que tinha feito um péssimo negócio.

Hoje eu e minha esposa abrimos essa garrafa e tomamos junto com um queijo suave. O vinho é da safra de 2008 e tem 12,5% de álcool. O local de produção é Sonoma. 75% é Zinfandel e  o restante é uma mistura de outros vinhos tintos não mencionados no rótulo.  De um modo geral minha esposa gostou do vinho, porque é macio e tem um sabor e aroma um pouco adocicado, típica dessa uva. Parece ter passado por pequeno estágio em madeira, mas isso não é muito perceptível. O aroma é de frutas vermelhas. Para mim destacou-se mais o aroma de cereja.  A cor não é muito intensa e as lágrimas são finas. O halo já estava bem pronunciado. O sabor era um pouco picante, sem ser desagradável, com corpo leve a médio. Os taninos estavam maduros e de um modo geral o vinho estava bem equilibrado e macio, com persistência na boca de baixa para média.   De um modo geral, achei que se trata de um vinho correto, mas o preço está um pouco puxado. Nos Estados Unidos penso que é um vinho com custo bem acessível.

Pesquisei a web novamente e encontrei um vídeo em que o sommelier fala bem desse vinho, mas sem muito entusiasmo, mas ele prova uma garrafa da safra de 2006 (http://www.youtube.com/watch?v=Mv9PxcEOAGc). Essa safra foi premiada em uma feira nos Estados Unidos. Em uma degustação às cegas em Ribeirão preto, esse vinho ficou em 5º. lugar na preferência dos degustadores. Compardo com o Zinfandel da Gallo que eu comentei em fevereiro,  ficaria com o  da Gallo, que tem um sabor muito mais intenso.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A primeira garrafa devolvida nunca se esquece

Há poucos dias estive em um hotel do tipo resort na região de Campinas, para uma reunião de trabalho. O hotel é muito luxuoso e as diárias são caras. O hotel mantém uma boa carta de vinhos e, como tudomais, cobra caro por eles, algo entre 2,5 a 3 vezes o preço normal de loja ou do importador. No segundo dia foi servido um jantar para os presentes e no fim eu e alguns colegas ficamos conversando e, como sempre nessas ocasiões, resolvemos experimentar alguns vinhos. Isso levou a  uma análise detalhada da carta de vinhos para tentar encontrar vinhos com um bom custo-benefício. O primeiro vinho tomado foi uma argentino básico da Rutini. O segundo foi um espanhol, que a dizia ser de Castilla y León e que na realidade era de Rioja. No processo de escolha desses vinhos, pedimos alguns que não estavam disponíveis e outros que só estavam em safra mais recentes.

Conosco estava um colega alemão, que queria experimentar um vinho Brasileiro. Pedimos um vinho com valor de cerca de 70 reais de vinícola conhecida de Bento Gonçalves safra de 2008 ou 2009. Eu fiz a prova e ao colocar na boca percebi que o saber estava estranho, com gosto oxidado. Depois analisei melhor a cor e vi que estava mais escura que o normal, pendendo para um marrom escuro. Percebi logo em seguida o cheiro de vermute. Passei o copo para o alemão, que também provou e não gostou. Ele olhou a rolha e vimos que o vinho havia se infiltrado uns 0.8 mm nela. Ela era composta de aglomerado de cortiça e um disco de cortiça integral com 0.5mm de altura na ponta que ficava dentro da garrafa. Resolvemos então devolver a garrafa.

O garçom era bem jovem e ficou atrapalhado, sem entender o que estava acontecendo. Nós explicamos para ele que o vinho estava com defeito e que não iríamos consumi-lo. Ele retornou com a garrafa e vimos que falou com outros colegas e eles todos cheiraram e provaram o fim. Depois de algum tempo eles chegaram à conclusão que estávamos certo e o jovem voltou par anos oferecer outra garrafa. Eu fiz um curso sobre vinhos recentemente e havia tido lições teóricas sobre os tipos de defeitos dos vinhos, mas nunca havia me deparado com uma garrafa defeituosa em um estabelecimento de consumo e naquele hotel luxuoso, foi preciso muita convicção para devolver o vinho. Não sei a razão do defeito, se causado pela rolha ou por má conservação.  Mas saí com a impressão de que o hotel deveria cuidar e manter melhor sua carta de vinhos, considerando o nível de seus clientes e os preços cobrados.

domingo, 3 de junho de 2012

Rutini CS e Malbec

No mês passado eu almocei com alguns amigos e colegas no restaurante Guimas, na Gávea, RJ. O prato escolhido, recomendado por um dos presentes que é frequentador assíduo, foi o Filé do Bêbado, com molho de champignon, vinho tinto, bacon, cebola calabresa e batata gratinada. Estava muito bom.

Para acompanhar pedimos um vinho tinto Rutini 2009, um corte de cabernet sauvignon e malbec.Todos à mesa gostaram muito do vinho. O que chamou a atenção foi principalmente o seu equíbrio e maciez, de taninos maduros. Além disso, tem boa intensidade na boca, com corpo médio. O aroma também é agradável, de frutas vermelhas. Combinou muito bem com o prato pedido.

 O preço pago foi de 92 reais. No outro dia, em casa, eu pesquisei na Web e descobri que é vendido pela Zahil, por cerca de 60-70 reais. Havia uma promoção de três garrafas por  55,50 cada na própria importadora e eu comprei para verificar se com outras garrafas a minha avaliação positiva se mantinha. Ainda não bebi. O preço pago no restaurante foi bem razoável, comparado com o preço da importadora.

domingo, 8 de abril de 2012

Preço de vinhos


Duas perguntas que me faço (e ouço) frequentemente são as seguintes:  Qual é  o valor  razoável de um vinho? A partir de quantos reais se compra um vinho bom? Eu ouço pessoas darem respostas como estas:  Um vinho bebível começa a partir de 20 reais. Um vinho razoável ou bom não custa menos de 60 reais. Essas respostas não são nenhum pouco úteis, pois dependem muito de onde se compra o vinho. Como qualquer outro produto, o preço ao consumidor varia muito. Além disso, depende muito  se a compra ocorrer em uma loja ou em um restaurante. No Brasil, o preço  nos restaurantes é normalmente pelo menos o dobro do custo na loja. Mas  o preço varia bastante nas lojas também.  Abaixo listo uma pequena pesquisa que fiz recentemente sobre o assunto para uso próprio, sem qualquer metodologia científica.
Amarone Classico Costasera, Masi, 2007, em Roma, na região central:  34,50 euros em uma padaria, 36e na loja duty-free do aeroporto,  40e em uma loja de vinhos perto da Piazza Navona e  340 reais no Brasil, na loja online da Mistral (cerca de 130e.)
Brunello di Montalcino, Fattoria dei Barbi, 2006, na região central: 22,50e em um supermercado com uma adega subterrânea bem montada, em oferta (o preço normal era 30e), 25 em outra loja da mesma rede de mercado (estava no armário, trancado), 34,50 no duty-free. No Brasil vi na loja on line Bacco’s por 245 e em um anúncio no Mercado Livre por 230,00, sem informar o ano (cerca de 90e.)
Cartuxa, reserva, 2008, em Portugual: 19,90e na loja da vinícola, em Évora; o mesmo preço no supermercado Jumbo em Guarda, 25 em uma loja de vinhos no centro de Lisboa, 34 na loja duty-free de Lisboa.  Encontrei a 200 reais em uma loja on-line no Brasil (cerca de 77e ).
Dessas pesquisas retirei duas regras básicas. Primeira:, deixar para comprar o vinho no duty-free é muito arriscado, pois além de correr o risco de não encontrá-lo, geralmente é mais caro. Segunda: multiplico por 9 ou 10 o preço médio em euros quando estou na europa, para ter uma ideia de quanto o vinho custaria no Brasil.

Amarone na Embaixada


Dias atrás participei de uma reunião na Embaixada do Brasil em Roma, envolvendo representantes de universidades brasileiras e italianas. O almoço foi servido na belíssima sala de recepção do Palácio Pamphili, com vista para a Piazza Navona.
Durante o serviço foi servido uma massa parecida com capeletti e o vinho foi o Amarone Costasera Classico, da Masi. Este é um grande representante dos Amarones. A cor era de um vermelho intenso, rubi, e o aroma muito  agradável, lembrando cereja e frutas escuras. O vinho era encorpado e com grande intensidade de sabor na boca, os taninos maduros e um bom equilíbrio, fazendo com que o alto teor de álcool passasse despercebido. Durante o almoço o embaixador comentou que o custo da garrafa era de cerca de quarenta euros e que os italianos presentes no almoço estavam elogiando a escolha do vinho,  que por sua qualidade e preço não deve ser servido usualmente em outros tipos de recepções.
No dia seguinte, ao andar pelos arredores da Piazza Navona, encontrei algumas garrafas desse amarone da safra de 2006 – não sei qual foi a safra servida no almoço – em uma loja de vinho por 39,90 e em um outra loja não especializada por 34,50. Resolvi comprar uma garrafa e levar para o Brasil. Pretendo abrir daqui a uns dois ou três anos e comparar com este servido na embaixada. Será uma oportunidade para lembrar desse almoço na nossa embaixada ao lado de alguns amigos.

sábado, 3 de março de 2012

Leitão à Bairrada

Jantei no restaurante Meta dos Leitões, em Mealhada. Este é um de muitos que existe nessa região. O leitão é muito bom, com pouca gordura aparente. O couro é
fino e tostado, mas não chega a ser crocante. A garçonete é uma senhora
portuguesa, que informa que o acompanhamento tradicional são batatas fritas, fritas
na casa, e salada de alface.

O vinho da casa recomendado é produzido pela própria empresa que é dona do restaurante, um caso típico de venda casada. Há opção por outros vinhos produzidos pelo grupo. Eu preferi provar o da casa, que se chama Sarmentinho, e vem nas versões tinto, banco e rosado. A garçonete disse que todos eles são indicados para consumir com o leitão e de fato, notei que sobre as mesas vizinhas havia garrafas tanto de tinto como de branco. O vinho é frisante, parecido com um Lambrusco. Acho que o gás é adicionado ao vinho pronto. O que eu tomei, o tinto, é feito com as castas Baga e Trincadeira e tem 12,5O de álcool. É servido gelado e tem sabor agradável, embora simples; vai bem com o leitão. No rótulo está escrito que é "adamado" (veja fotos abaixo). Esssa palavra não é muito usada no Brasil e significa "vestir-se ou enfeitar-se como uma dama, efeminado". No mundo do vinho significa "ligeiramente doce".





Como é uma segunda-feira, na estrada passei por vários restaurantes que estavam
praticamente vazios. No Meta havia em torno de trinta pessoas jantando. Esse é um dos restaurantes mais conhecidos e bem avaliados entre os que servem o leitão à bairrada nessa região e por isso talvez que era o mais procurado. Fiquei pensando se o leitão desse restaurante é melhor do que os demais só por causa de propaganda, ou se tem de fato alguma vantagem competitiva.

Dias depois eu estava em Lisboa e vi que há um restaurante no setor de refeições do centro de compras da estação oriente do metrô. Lá é possível comer sanduíche de leitão da bairrada. Resolvi não experimentar.

Há também um restaurante que serve leitão à bairrada no centro de compras de Alcochete (Freeport). Lá comi um bacalhau com natas e conversei com o garçon brasileiro, que é um imigrante ilegal. Ele disse que na cozinha os cozinheiros são todos brasileiros. Com a crise financeira, muitos restaurantes já fecharam nesse local e esse corre o risco de fechar também. O garçon disse que planeja voltar para o Brasil em dois ou três meses. Não sei se o leitão à bairrada que lá servem é da bairrada, nem se os cozinheiros do Meta são brasileiros ou portugueses. Acho que não faz
diferença. Ou faz?