Hoje abri uma garrafa do vinho Finca Las Moras
Reserva, Malbec, 2009, que tem 14º de álcool. Ele é feito com uvas cultivadas
na região de San Juan, na Argentina. Este vinho passou dois meses em barricas de carvalho
francês e americanos. San Juan está ao norte de Mendoza e vem se desenvolvendo
mais recentemente. Antes só fazia vinhos licorosos e de mesa. A syrah parece
estar se adaptando melhor ao microclima
de San Juan. Este vinho tem um excelente aroma, combinando tostado, baunilha
e chocolate. A cor é vermelha intensa e o corpo é médio, apesar da quantidade
de álcool. Na boca mostrou alguns defeitos, pois é áspero e desequilibrado, com
mais intensidade para a acidez. Os taninos apresentavam um pouco de amargor.
Atualmente custa cerca de 50 pesos na Argentina e pode ser encontrado em supermercados
de Buenos Aires. Ganhei esta garrafa de um amigo. Não agradou. Por esse preço
há vários vinhos argentinos melhores.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A desconhecida négrette
Há poucos dias visitei minha filha em Fontainebleau e
participei de um pequeno jantar com queijo e vinho com ela e uma amiga francesa
que gosta de vinho e parece conhecer um pouco dos vinhos de sua nação. Ela
trouxe para o encontro uma garrafa do Château Montauriol, 2009, Prestige, da
Appelation Fronton Crontrollée, com 13% de álcool. A princípio, nada
impressionante. Os rótulos são mostrados abaixo. Fronton é uma cidade no
sudoeste da França, próxima de Toulouse.
O vinho era muito agradável, com corpo médio, cor vermelho rubi
intensa e reflexos violáceos, macio e equilibrado. O aroma era
complexo, com nuances de tostado e frutas escuras. De um modo geral, gostei do vinho. A surpresa
veio quando olhei a composição do corte, que é o seguinte: négrette 55%,
cabernet franc 20% e syrah 25%. O corte com syrah é responsável por melhorar a
estrutura do vinho, que passa doze meses em barril de carvalho. Em Fronton, nessa denominação, só podem ser produzidos vinhos tintos e
rosados com pelo menos 50% da uva négrette.
Eu não conhecia essa uva e acho que poucas pessoas fora da
França a conhecem.
No dia seguinte procurei informações sobre ela e descobri
que é descendente de uma cepa ancestral nativa da ilha de Chipre, chamada
mavros. Diz-se que foi levada para essa região da França por cruzados que no
retorno passavam por essa ilha do mediterrâneo. Os diferentes cortes que podem
ser feito com a uva produzem vinhos muitos diferentes entre si, em termos de
aromas, estrutura e sabor. Procurei pelo preço na internet e achei uma garrafa
à venda nos estados unidos por US$17. No dia seguinte, em supermercado Carrefour
encontrei dois rótulos na faixa de quatro a cinco euros e comprei uma garrafa,
quando abrir tomarei nota das
características do vinho com mais cuidado. As fotos do rótulo estão abaixo.quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Quase um beaujoleais
Recentemente jantei um restaurante instalado na
parte mais alta do morro da vila de Chénas, na França: Les Hauts de Chènas.
Essa vila fica encostada na DOC de Beaujolais, pouco abaixo da cidade de Mâcon,
mas tem sua própria designação de origem: Appellation Chénas Crontolée. Cheguei
ao restaurante quase que por acaso: uma reserva de um hotel rural na região e
depois uma recomendação do dono do hotel. A proprietária é uma senhora,
Nathalie, que também aluga quartos e é a responsável pelas uvas e pelo vinho
produzido pela família há pelo menos um século.
No restaurante ela vende e serve os vinhos da
família, Domaine des Brureaux, que são feitos com a uva gamay, no “estilo” de
Beaujolais. Como mostrei dúvida sobre qual tinto escolher, ela trouxe à mesa
cinco garrafas com três cuvées diferentes. Explicou que um deles era feito com
uvas de videiras de 90 anos, outro com videiras de 50 e o terceiro de 15. O
quarto era um corte dos outros três e o quinto era outra safra de um deles.
Comecei a degustação pelo mais novo, que me pareceu
aguado. O vinho de 50 e o corte também não agradaram muito. O de 90 foi uma
agradável surpresa, pois era medianamente encorpado, a cor vermelho-granada com
média intensidade. O aroma frutado, de cereja, mas sobressaindo-se mais o aroma
deixado pela passagem do vinho em madeira: baunilha e tostado. Na boca
mostrou-se macio e bem equilibrado. Como o rótulo não informava, perguntei se o
vinho havia estagiado em barril e ela confirmou que estagiou 18 meses. A carta
de vinho informava que ele tem potencial de envelhecimento de 3 a 8 anos.
Pedi um prato de coq au vin que combinou bem com. No final do jantar o aroma mudou
sensivelmente, diminuindo o tostado e a baunilha relacionados ao barril de
carvalho e ficou mais intenso o aroma de frutas vermelhas maduras, na linha da
cereja. O preço da garrafa era de 19 euros (12 para levar). Foi uma boa
escolha. Duas fotos abaixo mostram o rótulo do vinho.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Leilão de vinho do Edemar Cid Ferreira
Hoje de
manhã entrei na página do UOL e logo no topo vi a informação de que estava
aberto pela web um leilão dos vinhos do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira. A
notícia informava o link para o site do leilão e eu, curioso, cliquei. No
site visitei vários lotes de vinhos do porto, tintos e brancos. O site de
leilão informava que as garrafas foram e estavam mantidas em adega climatizada.
Não há porque duvidar, pois o proprietário tinha recursos para isso, mas o que
aconteceu depois do arresto dos bens? Alguns deles mostravam que já haviam sido
visitados por cerca de 10-12 pessoas e em nenhum caso havia lances.
Os preços iniciais
estavam caros e mais tarde quando pesquisei alguns rótulos, percebi que o
avaliador estava se baseando em preços internacionais, o que comprativamente aos preços postos no Brasil torna o preço mínimo pelo menos bem menor que o preço local. Mas é preciso checar cada cso. As perguntas que fiz a
mim mesmo naquele momento foram as que muitos outros fizeram durante o dia:
Será que não estão estragados por terem passado do tempo de consumo? Se eu
tivesse recursos, teria coragem de fazer ofertas por alguns desses vinhos? Passei pelos tintos sem encontrar uma resposta. Acho que o avaliador do leilão contratado pelo site sabe o que está fazendo, mas alguns poucos lotes de vinhos mais baratos eu fiquei com a impressão de que seria mau negócio. Uma análise dos rótulos, vinículas e safras permitirá saber o tempo esperado de guada desses vinhos e isso dará uma boa informação para a tomada de decisão. Mas é difícil avaliar visualmente só pelas fotos se há algum defeito de má conservação.
Nos brancos eu tive dúvidas e separei dois casos para comentar. A primeira foto abaixo mostra vinhos varietais de Chardonnay, da California, Estados Unidos, com cerca de quinze anos na garrafa e preços na faixa de 40 reais. Esses vinhos são famosos e têm história, Mike Grgich foi o enólogo do vinho chardonnay Montelena que ganhou o primeiro lugar na famosa degustação de Paris em 1976 e o chardonnay da Chalone ficou em terceiro. A cor é âmbar escura, mostrando vinhos já no ocaso; as vinícolas são de boa qualidade, mas mesmo assim são vinhos que devem ser bebidos até no máximo três a cinco anos depois de postos à venda. Definitivamente eu não compraria esses três.
Agora à
noite voltei às páginas do UOL e a manchete dizia que o ex-dono havia emitido
uma nota durante o dia em que diz que os vinhos estão estragados por má
conservação. O site de leilão rebate que a avaliação foi rigorosa e os vinhos
com problemas foram removidos do leilão. Diz mais, que ele está querendo "melar" (talvez coubesse melhor aqui a palavras avinagrar) o leilão. É provável, mas difícil de provar. A análise técnica nos ajuda a decidir,
mas trata-se de um leilão complicado, com grande risco de pagar caro, levar e
não beber. De qualquer forma, vou acompanhar o leilão.
Nota:o leilão foi encerrado com sucesso e praticamente todos os lotes foram arrematados. A exceção foram lotes em que havia alguma informação sobre problemas, com "rótulos mofados". Os vinhos comentados acima foram comprados: boa sorte aos compradores. Será interessante ver no futuro posts na web sobre o que os compradores encontraram quando abriram a garrafa!
Nota:o leilão foi encerrado com sucesso e praticamente todos os lotes foram arrematados. A exceção foram lotes em que havia alguma informação sobre problemas, com "rótulos mofados". Os vinhos comentados acima foram comprados: boa sorte aos compradores. Será interessante ver no futuro posts na web sobre o que os compradores encontraram quando abriram a garrafa!
domingo, 7 de outubro de 2012
Simpósios e confrarias
O Museu Britânico possui, talvez, uma das maiores coleções
de vasos etruscos e gregos do mundo. Alguns são gregos, mas encontrados na Itália.
São vasos de terracota em que as pinturas combinam o vermelho do barro com o
preto da tinta. As cenas mostram guerreiros tomando vinho, jovens servindo
adultos e diversos tipos de cenas domésticas e ao ar-livre, além de cenas de
guerra. Muitos desses vasos eram usados para preparar o vinho ou então para
servir. Possuem a boca larga e ampla, no que diferem das ânforas, que eram
usadas para o transporte do vinho.
A palavra simpósio continua muito usada no mundo ocidental e significa
nos meios acadêmicos uma reunião de alunos, professores, pesquisadores e
profissionais de uma área do conhecimento para discutir os avanços científicos
e tecnológicos. Isto é, designa só a segunda parte do sentido original. No
Brasil e em Portugal usa-se modernamente o termo “confraria” para designar
grupos de pessoas, sem distinção de gênero, mas com predominância de homens,
para que reúnem regularmente para degustar e discutir vinhos. Ver também o
significado de simpósio na Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Simp%C3%B3sio), onde está a pintura abaixo, mostrando um
simpósio original.
domingo, 9 de setembro de 2012
Serviço inadequado
Jantar familiar a três no restaurante República dos Camarões,
em Aracaju, SE. O salão é climatizado e o serviço bem organizado; o garçom que
nos atendeu era educado e atencioso. Há várias opções de pratos com camarão e
pedimos um deles. A carta de vinho deixa a desejar em relação à qualidade geral
do restaurante: está mal organizada, confusa e com informações importantes
faltando. Uma das entradas da carta, por exemplo, informava apenas que havia um vinho “Nero D’Avola” por 58 reais. Parece
que quem fez a carta não sabe o que esse nome significa. Além disso, dispensa pouca
atenção para vinhos brancos e
espumantes, que deveria ser o forte de um restaurante especializado em frutos
do mar.
O serviço de vinho deixa a desejar e os garçons deveriam ter
um treinamento adequado. O espumante que eu escolhi foi servido em uma taça
normal de vinho tinto e de forma inadequada. As bolhas desapareceram
rapidamente. Se eu não tivesse me antecipado e pedido para gelar um pouco mais,
o vinho teria sido servido à temperatura
ambiente.
sábado, 8 de setembro de 2012
Vinho e margem de lucro, cuidado com o segundo vinho com menor preço.
Viagem de férias com minha filha. Ela acabara de terminar o
primeiro semestre de um MBA e estava entusiasmada com alguns conceitos
aprendidos. Quando tomávamos um vinho ela me explicou uma técnica de vendas
muito usada e que é frequentemente usada em cartas de vinhos: o segundo produto
com menor valor é o que tem maior margem de lucro. Explicando simplificadamente
com um exemplo de vinho: os vinhos do cardápio têm uma margem de
lucro de 100% (exemplo: é vendido por 40 e custa 20), digamos, e o produto com o segundo
menor preço tem margem de 150% (é vendido por 50 e custa 20).
Pesquisas mostram que muitas pessoas preferem comprar o segundo
produto menos caro, tornando-o o produto
mais vendido da lista ou da carta. Isso ocorre por várias razões psicológicas,
como por exemplo, por achar que o custo menor implica em menor qualidade ou
para não causar má impressão ao acompanhante. Portanto, cuidado com o vinho com o segundo menor preço da carta, pois pode ser uma armadilha. Você estará pagando mais por um produto que não custa mais que o vinho com menor preço da carta.
Outra técnica muito
utilizada, em cardápios de refeições, ou em vendas de refrigerantes em
restaurantes de comida rápida, é precificar desproporcionalmente quantidades
diferentes de um produto para estimular a venda do produto com maior
quantidade. Isso ocorre frequentemente
com garrafas de 750 ml e garrafas com menos conteúdo, como 375ml. O preço desta é geralmente muito maior se comparado com o volume maior, isto é, paga-se um preço proporcionalmente muito maior que o raciocínio lógico nos leva a pedir o produto com maior volume. Isso ocorre também com os preços de pizzas médias e grandes e copos de refrigerantes.
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